sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Chega a ser impossível controlar as milhares de borboletas que passeiam entre a minha garganta e meu estômago. Algumas delas surgiram no segundo em que o meu passado de perto. Perto a ponto de tirar a venda dos meus olhos, que no caso, ele mesmo vendou. Foi como acordar de um sonho onde o meu quarto era um céu de estrelas e então me deparar com uma realidade de livros e estantes com um céu enquadrado na janela. Dois segundos depois de encontrar o meu passado na esquina daquela rua em que ele passou comigo, sorrindo nos tempos em que era presente, pisquei os olhos com rapidez pra ter certeza de que aquela luz não era mais escuridão nem sonho. Considero a minha noite em claro uma adaptação. Meus olhos ainda ardiam com a realidade pois ela era então, clara e óbvia demais. Quando meus olhos pesaram e me fizeram ceder, tive medo de sonhar. Pela primeira vez em algum tempo, não sonhei com o meu passado pois ele, definitivamente, havia passado por mim naquela rua e eu o havia deixado ir. Sem hesitar, sem ter que controlar a vontade de puxá-lo com força pra ver se ele ainda cabia nos meus braços, pois eu sabia que ele não era mais certo pra mim e nem mais "feito pra caber nos meus abraços".
Embora a claridade ainda me ardesse os olhos, eles ainda não estavam contentes com o brilho das coisas e então decidiram querer algo mais brilhante. Mais que a realidade, mais que a vontade de estar só, que era consideravelmente grande. Há uma falta, que a solidão que completa quem deseja estar só, não supre e essa falta pode se resumir em planos, suspiros ou vontades incontroláveis de ver seus olhos nos olhos de alguém. Dizem que quando voamos alto demais, a queda é sempre mais dolorosa porém "cair" é o verbo que mais conjuga o mundo nesse exato segundo, então eu me pergunto: por quais motivos eu não me permitiria cair de amores por alguém?
Sendo isso algo já, em partes, ocorrido, não vejo mais motivos pra controlar o meu desejo. Não vejo nada capaz de me desfocar dele a não ser que quem o motiva me leve além das expectativas, o que não me parece difícil.
Considerando que a cada 5 segundos, mais borboletas surgem entre o meu estômago e minha garganta, é totalmente óbvio que esse meu "querer" é como um combustível à elas, que faz com que me deixem cada vez mais desesperada, com pressa de satisfazer meus olhos que só me mostram o quanto falta você dentro deles, pelo menos nesse exato momento. Talvez eles digam melhor o que, em algum tempo, meu medo de convencer a mim me fazia calar. Não tenha dúvidas de que eles dirão que..eu te quero e isso tem sido um combustível pra mim e minha borboletas. Como você já é um combustível, eu não diria no meu estado normal, que você é também uma droga..daquelas que alucinam e viciam, mas como estou no meu estado alterado (por você) digo que se você ainda não é uma droga pra mim, há em mim esse desejo.

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