Tudo o que eu sinto agora é inteiramente o que mais me causa uma necessidade ardente de repudiar. Essa maldita porta, aberta na minha cara, me deixa cada vez mais com frio e eu odeio o vento estranho que ela deixa entrar. Eu odeio tantas coisas nesse exato momento que nem ao menos me recordo dos dias em que amei.
O ódio quando é intensificado e depositado em apenas alguns segundos é muito mais farto emocionalmente do que mil anos vivendo o amor. O ódio é um estagio excessivo composto de emoções fragmentadas. Nesse instante, eu o sinto.
(...)
Nesse instante, já não o sinto mais. Quando isso acontece, sei que tenho somente duas opções: o vazio ou o desejo.
Mesmo sentindo um vazio em tudo que nesse segundo me colore a mente, eu ainda odeio o vento que entra pela porta. Ele me invade e eu me sinto vazia demais pra deixá-lo roubar o pouco que me resta.
Talvez tudo o que eu mais precise agora é de um segundo em segurança pra chorar. Mesmo não encontrando motivos certos pra isso, faço do mundo o meu motivo. O mundo que me refiro é o meu e ele está, ocultamente, incompleto. Eu sei que está, eu sei o que nele falta e chorar é a maneira sutil de me culpar por isso. Cansei de esconder que o meu próprio mundo me cansa. Ele me esgota de tanto que me exige, me cobra. Esse mundo não é "aquele", é "esse". Esse mundo sou eu. Liberdade pra fazê-lo completo não é algo atingível no mundo em que eu me resumo, pois a maneira como eu mesma me cobro é a mais eficaz de me acorrentar em mim.
Alguém pode me explicar, de uma forma diferente da mais óbvia e suposta por todas as palavras que soam com esse propósito, o que aconteceu comigo? Com os meus sentimentos?
Eu não me permito mais sentir. Eu mal supunha que um dia poderia possuir um escudo tão potente capaz de afastar sentimentos de maneira quase que irracional, com o intuito de proteger a mim e ao meu coração recém montado. De que adianta, quando o que realmente parece acontecer é o contrário do que deveria? Proteger meu coração é também esvaziar meu mundo. Não sei ao certo o preço que eu pago protegendo algo que por tantas vezes eu mesma quebrei, mas posso supor que ele é alto, tão alto que posso sentir o seu gosto amargo.
Embora aparente, "eu não sou tão triste assim é que hoje eu estou cansada"...
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