domingo, 26 de julho de 2009

"Eu me lembro do vazio tão nitidamente como me lembro do rosto dela. Eu me lembro da luz na minha espera exagerada e incoerente; dos seus olhos em mim como se quisessem penetrar um sinal em meus sentidos. Eu me lembro do quanto eu a desejava, até mesmo quando ela não parecia existir.
Eu a vi, perto dos meus olhos, enquanto eles estavam fechados; apenas enxerguei sua luz, pois o seu rosto eu não conhecia; eu podia sentir sua alma, como um fogo, como uma luz ofuscante, e isso bastava; eu a reconhecia.
Eu senti minhas mãos queimarem ao tocar seu rosto e meus lábios sorriram de dor. Eu via os olhos dela em mim, como se quisessem dizer que nunca deixariam de me observar, de dentro pra fora, como naquele instante. Senti a dor em seu sorriso enquanto eu notava que ela me observava por dentro e sentia em si o vazio que havia em mim. Eu só pude querer que ela parasse de me reconhecer, assim como eu fazia antes de dormir; eu só pude querer que ela parasse de me enxergar como ninguém mais era capaz; eu só pude querer que ela não descobrisse o que havia por trás do meu sorriso externo, pois ninguém, além dela, podia ver o quanto ele era vazio.
Meu sangue queimava em minhas veias, a presença dela me invadia, eu tinha medo que ela me roubasse de mim. Foi assim, covardemente, que a perdi. Perdi a luz dos meus olhos e aquele alguém que os habitava. Sim, eu a perdi. Perdi como se eu não tivesse escolha, mas eu tinha e não sei ao certo se me arrependo por não ter acreditado em mim pra que eu as escolhessem. É estranha a dor que sinto em meus olhos, como se eu não pudesse sentir mais nada. Eu desconhecia a luz, pois sempre optei por manter meus olhos fechados, mas você não me fez ter que abri-los pra enxergar, por isso, eles permanecem fechados; eles procuram por você."

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