Sinto como se certas coisas estivessem me invadindo a ponto de me roubar pensamentos e desejos naturalmente e frequentemente.
De um lado, frenesi e órbita. De outro, falta e vazio.
É incrível como a vida se equilibra, mesmo sendo o acaso responsável pelas vezes que perco e ganho, ele sempre me entrega alguma coisa, me tirando outra. Embora perder e ganhar faça parte das escolhas que somos obrigados a fazer, posso dizer que dessa vez a escolha não parece ter sido minha.
Minha capacidade de "não pensar" é sempre rompida por aqueles lugares que já foram os "de sempre", as horas que já foram "completas" e que hoje são vento e silêncio..e ah, as músicas.
Uma música é como um exercício de completar lacunas, sempre existem espaços em branco ou um espaço qualquer pra ser preenchido pelos nossos pensamentos que transbordaram da mente. As vezes prefiro que eles fiquem no fundo do meu copo mental, pois há perigo demais em deixá-los transbordar. Geralmente, transbordam nos olhos ou então, em música. Letras, frases, compasso e melodia - o que tem de tão obscuro nisso pra me fazer pensar e automaticamente, sofrer? Ok. Músicas são apenas músicas e não um mar salgado e fundo demais, mas o fato é que algumas músicas são como flores com espinho, lindas porém machucam. Com certas músicas é assim, quanto mais lindas e cheias de significados (pessoais ou não), são maiores as chances de nos machucar, nem que isso aconteça amanhã ou daqui uns anos..músicas sempre serão tristes um dia independente do quanto elas te fizeram bem no presente, que amanhã, já será passado.
Queria mesmo era saber como tampar os ouvidos pra não ouvir as músicas que andam tocando fora e dentro de mim pois elas não cantam, elas gritam a minha saudade de pessoas e épocas que já não cabem mais em suas letras.
segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
Hoje sinto como se eu estivesse acordando devagar, abrindo os olhos lentamente pra uma luz ainda mais intensa do que aquela que eu imaginava ser a minha única e eterna visão.
A claridade fora de mim está cada vez menos ofuscante, ela já não me assusta tanto quanto a 5 segundos atrás. Receio que esse segundo dure tempo demais, pois já não consigo conter a ansiedade de uma nova visão, algo que eu possa enxergar e sentir como se eu tivesse passado séculos esperando por isso, que depois de tanto tempo, eu teria chego ao fim daquele naufrágio e enfim estivesse aliviando meus pulmões ao respirar.
Eu tenho esperado. Eu tenho desenhado sonhos no ar pra que o vento leve. Eu tenho encontrado mil maneiras de escapar.
Eu teria me protegido se tivesse tido chance de escolher.
Tenho esperado por uma porta ou, quem sabe, uma janela. Tais, exatamente, como eu desejei antes de fechar os olhos.
Estive blefando por tempo demais, talvez o suficiente pra quase me auto-convencer. Confesso que não esperava me cansar agora. Depois de tudo que fiz pra me convencer com as mentiras sobre as verdades que eu sempre soube. Cheguei até a pensar que essas já teriam perdido a veracidade até que, como um despertar de um sonho ruim, eu voltei e tudo ainda estava como eu havia deixado. Os mesmo livros ainda estavam na prateleira, as mesmas músicas, as fotos e a mesma garota tímida e frágil que me habitava antes do meu sonho me esvaziar. É confortante saber que ainda sou a mesma, que os livros ainda fazem os mesmos efeitos, que as músicas ainda dizem sobre o passado e sobre o futuro que eu esperava que elas coubessem.
Há algo sussurrando em meus ouvidos, dizendo que o sonho acabou e que a chuva logo irá passar.
Nada pode ser tão ruim agora.
sexta-feira, 16 de janeiro de 2009
Quando algo te faz constantemente livre de si, como se possuir seu "interior completo" fosse impossível, isso é falta.
Quando tudo parece girar cada vez mais rápido, mesmo com você andando sempre pra trás, no sentido contrário das horas por medo de vê-las passar, isso é falta.
Não sei exatamente o que me falta. Quando essa falta é depositada em algo (ou alguém), ao supri-la, na intenção de me fazer completa, algo continua me faltando.
Sobra espaço, falta vontade. Tudo parece atrasado, e ao mesmo tempo, um comodismo antigo e gasto. Um segundo tem o mesmo peso de um dia, e a razão disso está no fato de parecerem sempre iguais, imóveis. Se minha mente ousa vacilar, se parecem mais com um retrocesso.
Cansei de ter que apertar os "plays" da vida pra que ela se tornasse algo semelhante a um "novo início", quando na verdade, tudo não passa de uma continuação pintada de novo, com tintas que não são à prova d'água, pois bastam algumas lágrimas (até aquelas movidas por excessos de felicidade) pra tudo se dissolver.
Excessos são altamente destrutivos. Se "saber" fosse sinonimo de "compreender", tais excessos não estariam presentes nem em momentos sublimes.
"Tudo que é demais faz mal" - não é isso o que dizem? Pois eu acho que falam demais, assim como eu. Quem poderá dizer sobre algo sem tê-lo mais em sua vida do que em sua mente? Se todos são convictos em relação às consequências dos excessos, por quais razões ainda os cometem? O erro é achar que o que sabemos é suficiente, quando na verdade, sabemos tão pouco. Quando levamos uma rasteira (da vida ou de alguém), temos sempre a sensação de que aprendemos a sentir e agir como se nunca tivéssemos ouvido falar ou pensado em saber sobre o que uma queda é capaz de fazer com alguém.
Mesmo estando em aprendizado constante, continuamos a achar que sabemos o suficiente e então, somos enganados por nós mesmos. Abrimos as asas para um novo início, aquele que a vida sempre guarda pra todas as pessoas que sentem e agem, e esse início vem com uma única definição: Sede de vida.
Sede de vida é, como muitas coisas, uma falta. Falta grave, esperançosa, e ao mesmo tempo, dolorosa como de costume.
Quando tudo parece girar cada vez mais rápido, mesmo com você andando sempre pra trás, no sentido contrário das horas por medo de vê-las passar, isso é falta.
Não sei exatamente o que me falta. Quando essa falta é depositada em algo (ou alguém), ao supri-la, na intenção de me fazer completa, algo continua me faltando.
Sobra espaço, falta vontade. Tudo parece atrasado, e ao mesmo tempo, um comodismo antigo e gasto. Um segundo tem o mesmo peso de um dia, e a razão disso está no fato de parecerem sempre iguais, imóveis. Se minha mente ousa vacilar, se parecem mais com um retrocesso.
Cansei de ter que apertar os "plays" da vida pra que ela se tornasse algo semelhante a um "novo início", quando na verdade, tudo não passa de uma continuação pintada de novo, com tintas que não são à prova d'água, pois bastam algumas lágrimas (até aquelas movidas por excessos de felicidade) pra tudo se dissolver.
Excessos são altamente destrutivos. Se "saber" fosse sinonimo de "compreender", tais excessos não estariam presentes nem em momentos sublimes.
"Tudo que é demais faz mal" - não é isso o que dizem? Pois eu acho que falam demais, assim como eu. Quem poderá dizer sobre algo sem tê-lo mais em sua vida do que em sua mente? Se todos são convictos em relação às consequências dos excessos, por quais razões ainda os cometem? O erro é achar que o que sabemos é suficiente, quando na verdade, sabemos tão pouco. Quando levamos uma rasteira (da vida ou de alguém), temos sempre a sensação de que aprendemos a sentir e agir como se nunca tivéssemos ouvido falar ou pensado em saber sobre o que uma queda é capaz de fazer com alguém.
Mesmo estando em aprendizado constante, continuamos a achar que sabemos o suficiente e então, somos enganados por nós mesmos. Abrimos as asas para um novo início, aquele que a vida sempre guarda pra todas as pessoas que sentem e agem, e esse início vem com uma única definição: Sede de vida.
Sede de vida é, como muitas coisas, uma falta. Falta grave, esperançosa, e ao mesmo tempo, dolorosa como de costume.
quinta-feira, 15 de janeiro de 2009
"Daqui desse momento, do meu olhar pra fora, o mundo é só miragem. A sombra do futuro, a sobra do passado assombram a paisagem.
Quem vai virar o jogo e transformar a perda em nossa recompensa?
Quando eu olhar pro lado, eu quero estar cercado só de quem me interessa.
Ás vezes é um instante, a tarde faz silêncio. O vento sopra a meu favor. Ás vezes eu pressinto e é como uma saudade de um tempo que ainda não passou.
Me traz o teu sossego?! Atrasa o meu relógio?! Acalma a minha pressa?! Me dá sua palavra?! Sussurre em meu ouvido só o que me interessa.
A lógica do vento, o caos do pensamento, a paz na solidão. A órbita do tempo, a pausa do retrato, a voz da intuição. A curva do universo, a fórmula do acaso, o alcance da promessa. O salto do desejo, o agora e o infinito.
Só o que me interessa."
(Lenine me descreveu nessa musica.)
Quem vai virar o jogo e transformar a perda em nossa recompensa?
Quando eu olhar pro lado, eu quero estar cercado só de quem me interessa.
Ás vezes é um instante, a tarde faz silêncio. O vento sopra a meu favor. Ás vezes eu pressinto e é como uma saudade de um tempo que ainda não passou.
Me traz o teu sossego?! Atrasa o meu relógio?! Acalma a minha pressa?! Me dá sua palavra?! Sussurre em meu ouvido só o que me interessa.
A lógica do vento, o caos do pensamento, a paz na solidão. A órbita do tempo, a pausa do retrato, a voz da intuição. A curva do universo, a fórmula do acaso, o alcance da promessa. O salto do desejo, o agora e o infinito.
Só o que me interessa."
(Lenine me descreveu nessa musica.)
quarta-feira, 14 de janeiro de 2009
"Nunca lance um preço se não estiver disposto a perder."
É exatamente assim que as coisas acontecem, quando arriscamos ou decidimos algo, sempre estamos sujeitos a encarar perdas e ganhos, como num jogo onde a próxima casa é decidida na sorte. Na minha vida, esse jogo funciona do meu jeito e os dados estão nas minhas mãos, eu decido quando e por quais razões jogá-los.
A questão é: há quanto tempo não me sujeito a jogá-los de maneira que possam me comprometer?
A resposta é evidente e um tanto covarde. Eu simplismente não me arrisco a jogá-los.
Procuro fugir de todas as casas, desse jogo de espectativas, que podem um dia me derrubar, mesmo que pra isso eu tenha que arriscar milhares de sorrisos ou até poupar o acaso de me fazer surpresas embora estas continuem acontecendo, mas por ordem do destino e não por uma escolha minha.
A regra é clara: não comece um novo jogo sem estar devidamente preparado pra vê-lo acabar.
É exatamente assim que as coisas acontecem, quando arriscamos ou decidimos algo, sempre estamos sujeitos a encarar perdas e ganhos, como num jogo onde a próxima casa é decidida na sorte. Na minha vida, esse jogo funciona do meu jeito e os dados estão nas minhas mãos, eu decido quando e por quais razões jogá-los.
A questão é: há quanto tempo não me sujeito a jogá-los de maneira que possam me comprometer?
A resposta é evidente e um tanto covarde. Eu simplismente não me arrisco a jogá-los.
Procuro fugir de todas as casas, desse jogo de espectativas, que podem um dia me derrubar, mesmo que pra isso eu tenha que arriscar milhares de sorrisos ou até poupar o acaso de me fazer surpresas embora estas continuem acontecendo, mas por ordem do destino e não por uma escolha minha.
A regra é clara: não comece um novo jogo sem estar devidamente preparado pra vê-lo acabar.
sexta-feira, 9 de janeiro de 2009
Digamos que renunciar uma escolha não é uma das saídas mais fáceis que eu poderia dispor nesse exato momento, mas talvez seja a melhor maneira de saber realmente do que a minha felicidade precisa pra se estabilizar. Sei que tenho milhares de decisões e escolhas que deveriam anteceder aquelas que ando pensando com mais frequência, colocando em primeiro plano como se tudo o que acontece e o que pode acontecer dependesse de uma única cartada. Mas sei também que só com essas milhares de outras decisões estarei completa o suficiente pra ser feliz do meu jeito, embora eu esteja omitindo aos meus sentidos sobre a importância delas, concentrando a minha garantia de felicidade em uma única escolha . Não sei se é mesmo um capricho, daqueles que derrubam o nosso orgulho, aquecendo as nossas lembranças, congelando os nossos planos e queimando as nossas idéias.
E se eu estiver enganada? Quantos dias terei que perder até que eu consiga consertar as coisas, depois de destruí-las com as minhas próprias mãos, cegas, como fiz dos meus olhos ao vendá-los por você?
Se eu estiver errada, agora ou daqui a mil anos..quem sabe eu não seja forte o bastante pra renunciar as minhas escolhas novamente.
E se eu estiver enganada? Quantos dias terei que perder até que eu consiga consertar as coisas, depois de destruí-las com as minhas próprias mãos, cegas, como fiz dos meus olhos ao vendá-los por você?
Se eu estiver errada, agora ou daqui a mil anos..quem sabe eu não seja forte o bastante pra renunciar as minhas escolhas novamente.
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