sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Talvez eu realmente esteja esperando demais. O que ontem parecia ser o antídoto perfeito pra minha fórmula pessoal, hoje dissolve-se em fragmentos invisíveis. Ontem, o mundo era invisível. Meus olhos eram cegos. Meu sorriso, raramente os atingia. A partir do momento em que meu coração sentiu que já não havia maneira de se desprender da luz que me cegava, ele desistiu. Tive, então, que fechar os olhos. Fechá-los pro acaso, pra novas expectativas, novos rumos, desejos, novas preferências, padrões pois não era a dor que me obrigava a isso mas sim, a intensidade das minhas apostas e quedas.
Hoje sinto como se eu estivesse acordando devagar, abrindo os olhos lentamente pra uma luz ainda mais intensa do que aquela que eu imaginava ser a minha única e eterna visão.
A claridade fora de mim está cada vez menos ofuscante, ela já não me assusta tanto quanto a 5 segundos atrás. Receio que esse segundo dure tempo demais, pois já não consigo conter a ansiedade de uma nova visão, algo que eu possa enxergar e sentir como se eu tivesse passado séculos esperando por isso, que depois de tanto tempo, eu teria chego ao fim daquele naufrágio e enfim estivesse aliviando meus pulmões ao respirar.
Eu tenho esperado. Eu tenho desenhado sonhos no ar pra que o vento leve. Eu tenho encontrado mil maneiras de escapar.
Eu teria me protegido se tivesse tido chance de escolher.
Tenho esperado por uma porta ou, quem sabe, uma janela. Tais, exatamente, como eu desejei antes de fechar os olhos.
Estive blefando por tempo demais, talvez o suficiente pra quase me auto-convencer. Confesso que não esperava me cansar agora. Depois de tudo que fiz pra me convencer com as mentiras sobre as verdades que eu sempre soube. Cheguei até a pensar que essas já teriam perdido a veracidade até que, como um despertar de um sonho ruim, eu voltei e tudo ainda estava como eu havia deixado. Os mesmo livros ainda estavam na prateleira, as mesmas músicas, as fotos e a mesma garota tímida e frágil que me habitava antes do meu sonho me esvaziar. É confortante saber que ainda sou a mesma, que os livros ainda fazem os mesmos efeitos, que as músicas ainda dizem sobre o passado e sobre o futuro que eu esperava que elas coubessem.
Há algo sussurrando em meus ouvidos, dizendo que o sonho acabou e que a chuva logo irá passar.
Nada pode ser tão ruim agora.

3 comentários:

  1. Olá! Encontrei seu blog na comunidade "Gosto de escrever o que sinto". Não pude deixar de comentar, diante de palavras tão lindas. Vc consegue realmente expressar o que sente. Parabéns! Beijos.

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  2. Parabens por seu texto,
    sonhos acabam,
    mas nunca deixamos de sonhar com ele,

    http://opoestadeplutao.blogspot.com/

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  3. Descreveu exatamente como me sinto hoje...
    Ah, presentinho pra você... Passa lá no meu blog!

    www.marcelo-antunes.blogspot.com

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